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GREGÓRIO TAUMATURGO DE AZEVEDO

Fonte: Arquivo Pessoal de Ramon Vieira de Carvalho - Imagem projetada por IA com base em fotografias reais.
Fonte: Arquivo Pessoal de Ramon Vieira de Carvalho - Imagem projetada por IA com base em fotografias reais.

Marechal do Exército. Primeiro governador republicano do Piauí. Nasceu na vila de Nossa Senhora da Conceição de Barras, hoje cidade de Barras do Marataoã, Estado do Piauí no dia 17 de novembro de 1853 e falecido no Rio de Janeiro no dia 29 de agosto de 1921. Filho de Manoel de Azevedo Moreira de Carvalho e de dona Angélica Florinda Moreira de Carvalho.

Estudos primários com seus familiares. Matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, 1870, saindo como alferes. Fez uma brilhante carreira no Exército, atingindo o posto de Marechal. Bacharel em Matemática e Ciências Físicas. Engenheiro Militar. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais.

Em 1879, com a sua nomeação para secretário da Comissão de Limites do Brasil com a Venezuela, iniciaram a evidenciar-se os múltiplos e excepcionais predicados de Taumaturgo de Azevedo. Nesse mesmo ano, um mês depois de escolhido para arriscada missão na comissão, chefiada pelo barão de Parima, foi promovido a capitão de engenheiros. Foi, também, condecorado pelo governo da Venezuela.

Como advento da República a 15 de novembro de 1889, o major Taumaturgo de Azevedo foi nomeado governador do Piauí. Assumiu a chefia do governo a 26 de dezembro do mesmo ano. Teve como secretário de Governo o notável jurista Clóvis Bevilacqua.

O Piauí encontrava-se num caos total. A desordem reinava em todo o Estado. As finanças arruinadas. A corrupção administrativa era uma constante na vida política estadual. Tinha, portanto, uma missão árdua e difícil a cumprir. Taumaturgo vinha imbuído dos mais sublimes propósitos de pacificar e unir os piauienses em prol do soerguimento do Estado. Na sua proclamação ao povo, por ocasião de usa posse, ele assim se expressa:

“Ordem e Progresso é a bússola do bem e do direito, a paz e a justiça inflexível, a seleção do talento, do mérito e da probidade, o auxílio aos acometimentos legítimos e às aptidões provadas, o banimento do patronato elevado à altura de uma princípio corruptor de caracteres, o respeito perene à autoridade constituída e toda expansão possível da liberdade  apar de uma ação enérgica repressora da anarquia ou violência, da linguagem desenfreada, do roubo, do homicídio e dos vícios que detinham o físico e deprimem a moral; é o melhoramento incessante da indústria, da agricultura, do comércio, da moralidade, da civilização, do bem-estar e da felicidade, enfim, do nosso Estado. São estes os mais ardentes votos a realizar nesta terra a que se prendem o meu braço, a minha família e as mais justas aspirações de meus patrícios”.

A sua proclamação não teve receptividade junto aos partidos políticos e à imprensa. Dos políticos veio a tergiversação, o indiferentismo; a imprensa assumiu logo um caráter hostil aos nobres propósitos do novo governador.

Taumaturgo organizou a sua equipe de governo à base do mérito, do talento e da probidade. Lançou-se resolutamente a bem administrar o Estado, procurando sanear as finanças, organizar o ensino, manter a ordem, finalmente, desenvolver todos os setores de atividades. Desprezou e despreocupou-se das intrigas e conspirações políticas. Inesperadamente, é chamado ao Rio de Janeiro, viajando a 4 de junho de 1890, donde não mais retornou.

José de Arimathéa Tito assim narra a sua saída do governo: “as competições do mando, causa eficiente da luta dos partidos, deixaram reinante a desarmonia da grande família piauiense. Enojaram tais causas ao cidadão ilustre, ao patriota esclarecido, ao novel estadista, que não quis fazer-se pressor dos conterrâneos. Insubmisso às paixões retrocedentes, pediu logo e voluntariamente, a sua exoneração, que foi recusada por Deodoro; mas, afinal, concedida depois que o honrado governador decidiu solicitá-la na própria cidade do Rio de Janeiro, mostrando o caráter irrevogável e firme de seu intento”.


ATOS E FATOS DA ADMINISTRAÇÃO DE TAUMATURGO DE AZEVEDO NO PIAUÍ:


Elevação à categoria de cidade das vilas de Barras, União, Campo Maior e Piracuruca (Dec. nº 1, de 28-12-1889). As vilas de Jaicós e Valença são elevadas a categoria de cidade (Dec. nº 3, de 30-12-1889). Mudança do nome da vila de Humildes para Alto Longá (Dec. De 20-01-1889). Elevação dos povoados Estreito, hoje Luzilândia, Nossa Senhora da Aparecida, hoje Bertolínia e Natal, hoje Monsenhor Gil, à categoria de Vila (Dec. nº 21 de 22-01-1890). Nomeação de Joaquim Nogueira Paranaguá, Teodoro Alves Pacheco e Mariano Gil Castelo Branco, vice-governadores do Piauí (Dec. De 11-01-1890).

Dissolução das Câmaras Municipais, substituindo-as por Conselhos de Intendência, nomeando, logo em seguida, os componentes dos novos colegiados (Dec. nº 8, de 20-01-1890). A vila de Jerumenha é elevada à categoria de cidade (Dec. nº 12, publicado em 15-02-1890). A vila de Marvão muda o seu nome para Castelo (Dec. De 20-07-1890). Extinção da Companhia Policial do Estado e criação da Guarda Republicana. A povoação de Colônia, hoje Floriano, é elevada à categoria de Vila (Res. nº 2, de 19-06-1890). Organização do 35º Batalhão de Linha. Dotação na sua administração de um orçamento – fixação da despesa e previsão da receita.

Obtenção de um empréstimo da União de 600 contos de réis para pagamento da dívida do Estado e outras verbas para a exploração da foz do rio Parnaíba, para outras obras, ente as quais a construção de um teatro. Iniciou a nivelação e a arborização das ruas. Planejou a construção de uma avenida de 2 quilômetros de extensão ligando o rio Parnaíba até o rio Poti.

Cesário Alvim, um dos principais ministros do presidente Deodoro da Fonseca, pronunciando-se a respeito de pedido de exoneração de Taumaturgo, passou o seguinte telegrama ao governador do Piauí: “Vossa susceptibilidade é de caráter nobre e, longe de estranhá-la aplaudo-a. continuais a gozar de toda a confiança d governo, que conta com o vosso patriotismo na administração desse Estado, posto de sacrifício e de benemerência”.

Já demissionário no Rio de Janeiro do governo do Piauí, foi-lhe oferecido o governo do Paraná. Recusou o convite. Na mesma época aceitou a solicitação do dr. Francisco Portela, piauiense, governador do Estado do Rio de Janeiro para dirigir o Departamento de Obras do Estado. Depois disso ofereceram-lhe o governo do Amazonas. Aceitou. Ficou, todavia, protelando a sua posse. Aguardava em Recife o resultado de sua eleição para o governo do Amazonas. Eleito, assumiu o Executivo amazonense em 01-09-1891. Com a queda do marechal Deodoro, Taumaturgo foi deposto em 27-02-1892.

Em 30-04-1872, sendo preso como conspirador pelos seguidores do marechal Floriano Peixoto, foi reformado e deportado para a fortaleza de São Joaquim do Rio Brando, em companhia do coronel Mena Barreto e outros. Foi solto quatro meses depois, pela anistia. Em 1875 reverteu aos quadros do Exército no posto de coronel. No mesmo ano foi nomeado, a pedido, em 1897, em virtude de fortes discordâncias com as ideias do ministro do Exterior, general Dionísio Cerqueira, por este persistir em advogar os interesses bolivianos contra os do Brasil. A este notabilíssimo rasgo patriótico é que a República Brasileira deve o domínio em que hoje se acha do feracíssimo Território do Acre, que é a região mais rica em borracha de todo o mundo. O trecho seguinte do relatório que o coronel Taumaturgo elaborou nessa ocasião, desenha sinteticamente a magna questão: - “Devo informar-vos de que a Amazônia irá perder a melhor zona do seu território, amais rica do seu território e a mais produtiva, porque, dirigindo-se a linha gedésica de 10º20’ a 7º1’ e 17’’, 5, será muito inclinada para o norte, fazendo-nos perder o Alto rio Acre, quase todo o Yaco e Alto Purus, os principais afluentes do Juruá e, talvez, o do Jutaí e do próprio Javari, rios que nos dão a maior porção de borracha exportada por brasileiros. A área dessa zona é maior de 5.870 léguas quadradas”.

Taumaturgo é um estadista que merece ser reverenciado por todos os brasileiros pelo muito que fez na defesa da integridade territorial e política do Brasil. O grande escritor e historiador Goycochea assim fala na atuação do notável barrense na questão do Acre: “Taumaturgo de Azevedo foi o paladino inexcedível. Plácido de Castro: foi o braço que executa com Valença e oportunidade. Rio Branco: foi a habilidade e a energia que decidiu em favor do Direito. Somaram-se, completaram-se confundiram-se no mesmo espírito, tornando-se os homens representativos do Acre, os guardiões da civilização da América Meridional”.


FUNÇÕES E HONRARIA:


Comendador das Ordens da Rosa e do Cristo; Cavaleiro da São Bento de Aviz; Sócio Remido dos Institutos Politécnico, Histórico e Geográfico Brasileiro; do Clube de Engenharia e da Sociedade de Geografia; Sócio Honorário dos Institutos Arqueológico e Geográfico e Histórico da Bahia, da Parnaíba e do Piauí, da Associação da Imprensa de Santiago do Chile; da de Manaus, dos Advogados de Lisboa e do Ateneu de Guatemala; Membro da Sociedade Acadêmica de História Internacional de Paris, com o diploma “L’étoile d’Or”, da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha Cubana, com faixa e grande placa de honra e mérito; fundador e presidente da Cruz Vermelha Brasileira; Prefeito de Alto Juruá; fundador da cidade de Cruzeiro do Sul; comandante da Região Militar da Bahia e Brigada Policial do Rio de Janeiro; portador da medalhas de oro da República Brasileira e Simão Bolívar, da Venezuela”. (Literatura Piauiense – João Pinheiro)

É Patrono das Cadeiras 29 e 7, respectivamente, da Academia Piauiense de Letras e da Academia de Letras do Vale do Longá.


Fonte: Biografia retirada do livro: Vultos da história de Barras de Wilson Carvalho Gonçalves, 1994.

 
 
 

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